Chega-se um dia que não agüentamos a saudade, as dores fortes, afiações de metais em seu próprio corpo, uma alma querendo falar mais alto que toda a nossa consciência. Os gritos do coração em seu desespero, assim é o que passamos e fazemos por amor. São momentos e pensamentos sem descrições. Ao não conseguir mais segurar toda a dor, corremos atrás do que desejamos e o que coração necessita desabafar.
Muitas loucuras cometem-mos em nossas vidas sem ao menos perceber e por que fazemos isto? For love, for love... Um fato que nunca havia imaginado se quer nem sonhado fazer isto por alguém, ate mesmo um garoto, especialmente em minha idade. Já tinha o conhecimento da resposta de seus lábios e pensamentos, e qual era o meu objetivo? Não sei, mas se fiz isto foi por amor, muito amor.
Enfrentamos nossos medos pode ate ser normal, mais muitos medo em um só dia, só o amor e fé para conseguir, e foi o que aconteceu comigo. Tudo se passava de um pesadelo, mas ao mesmo tempo não queria acordar porque sabia que a realidade é bem pior.
O dia iniciou-se bem, sem vontade de estudar, mas sonos e sonhos acumulados enquanto o coração gritava de desespero. Aquela vontade mínima de se levantar e rever os amigos. Ás seis da matina alguém me liga, se achando o malandro, o esperto e sedutor convidando-me para sair e tentar distrair-me. Muitos diziam que ele seria “o perfeito” para mim. O que minhas analises disseram? “Siga o seu coração e lembre-se daquela senhora que passas-te noites e noites perguntando o que estava acontecendo e que amaria eternamente o seu querido neto”. Olhei em volta e vi que aquele garoto que tentava me distrair, seria apenas um colega (ainda devo-lhe R$ 8,00 do McSalada). Ao sair, olhava em direção ao mar, pedia perdão ao Senhor e pensava o que poderia ser feito para curar estas fortes dores. Ao voltar para casa, tudo que desejava era vê-lo novamente e ouvi-lo dizer que me amava... Não tenho muito a dizer sobre o que pensava.
Por volta das três da tarde sentir-me forte e o coração continuava a gritar desesperadamente. Decidir ligar para ele, mas nada adiantou, apenas piorou minhas dores cada vez mais. Então, ouvi uma voz suave me dizer “As pedras foram encontradas e devem permanecer unidas, juntos passaram por sérios problemas, porém, influciências criaram magoas, angústias, muitas dores e se quebraram aos poucos... Estou com você, corra atrás, dê o seu amor.” Aquilo me deixou confusa, especialmente ao ver aquela senhora com o sinal em sua mão.
Ao ouvir, tomei o primeiro táxi que vi passar, larguei-me em frente ao shopping, no ponto de ônibus. Lembrei-me que havia mentido para a minha família, mais o que importava? Era ele, o amor. Iniciei minhas preces logo ao sair de casa. Sentir medo, muito medo, pois seria a primeira vez que pegaria um ônibus sozinha em toda a minha vida. O primeiro ônibus que vi o nome Ipioca, entrei sem perguntar ao menos qual seria o destino. Em todo momento fiquei a rezar, todos os medos de minha vida estavam presente naquele determinado momento. Comecei a chorar ao imaginar a loucura que estava fazendo, mas ouvir novamente “Se está fazendo por amor, te ajudarei e irei te proteger em todo o caminho”, logo pensei, “Se eu morrer, morrerei feliz. Pois estarei fazendo isso por amor e sei que tentei...” Ao chegar no terminal, em Suaçaí (Não sei como se escreve), não sabia o que fazer, havia muitos homens e não conhecia ninguém, comecei a rezar novamente e liguei para ele.
Conversamos em sua casa, então, dei minhas palavras, tentei tirar tudo o que o coração pediu-me e desabafei em seus braços quentes, tentando demonstrar todo o amor que realmente sinto, por ele. Podem-me dizer que fui burra, mas não acho. Eu chorei, sofri, lutei, fiz minha parte e descobrir que o amor que sinto não é correspondido e foi o que me fez piorar o sofrimento. Sinta-me fracassada. Tinha ate esquecido dos medos de formigas e de homens embriagados. Ao ouvir suas palavras, passei a sofrer por saber o que ele realmente queria, era apenas amizade e depois dali, eu não existiria nunca mais em sua vida. Rezei, muito, mais a maior vontade era voltar para casa de meus pais e ser acolhida. Arrependo-me, mas infelizmente ninguém manda no coração. Se fiz tudo isso? Também não acredito, até hoje. Parecia mais um filme, ou um conto, do que minha vida. Nunca irei acreditar que fiz isso por amor, simplesmente, por amor.
Fato ocorrido no dia 03 de novembro de 2011
Michele Bethiane Melo Marinho e Silva
04 de Novembro de 2011