Não saber o que está fazendo, momento de desespero, ouvir as pessoas duvidar de minhas atitudes, falar coisas nas quais só piorava os meus pensamentos, o meu campo. A fúria foi aumentando intensamente, crescendo a cada pensamento e palavras ditas pela minha volta. Chega um momento em que não queria mais ouvir as pessoas. Chega um momento em que não queria ouvir ninguém. Queria o vazio, o vácuo.
Mente atordoada, gritos de desespero e não ouvi ninguém falar de Deus. Apenas de festas, drogas e mais drogas, que amigos tenho. No momento preferia que ninguém falasse, mas foi pior, falaram ate demais pensando que estariam ajudando. Droguei-me com remédios e álcool, e isso eram o que queriam? Não sei, mas as palavras de muitos não me ajudaram, só criava-me rancor, dores e desejo a morte.
Por um momento, pensei “Querem me ajudar? Calem a boca. Vocês não sabem o que passa em minha mente e nem com a minha vida. Querem falar? Junte-se a outras e leia uma revista de fofocas”. O difícil é obedecerem. Com aqueles comprimidos, hoje, tenho vontade de fazê-los sumir do mundo, sinto enjôos, angustia, muito desespero e arrependimentos, pois sei que prejudicou a minha saúde, a minha vida.
Liguei as luzes de natal em meu quarto, estava com muito sono, como se fosse eterno. Sentia medo e raiva. Passava-se em minha memória todos aqueles em quem confiei e me decepcionaram, aqueles que ajudaram ao fim do romance, aqueles que fingiam serem meus amigos, os fúteis, os que desejavam algo em troca, aqueles que realmente eram meus amigos mais estavam invisíveis em meu mundo, aqueles que queriam me prejudicar e aqueles que me amavam.
Sentei em frente do espelho do meu quarto. Ao meu lado, estava ele, dizendo-me “Por que tanta raiva? Será que vale realmente a pena descontar suas fúrias em um presente de Deus? Será que vale lamentar-se por algo que neste exato momento não te pertence? Será que vale deixar uma cicatriz no coração de cada teu familiar? Ora, vejamos, Jesus morreu pelas pessoas e muitas delas continuam a criticá-lo. Ele fez a parte dele, seguiu seu caminho e nunca deixou de amar. E você? Será que realmente vale à pena? Não faças isto, não queira isto. Teus pais te amam, muitos gostam de ti, especialmente, nós, que trabalhamos para que consigas realizar o teu trabalho. Descanse...”. Não conseguir manter-me em pé e cair em um sono profundo.
Acordo ao ouvir um “garoto”, amigo, me chamar. Realmente, mesmo com tantas coisas em minha consciência, eu o ouvir das primeiras até suas últimas palavras, porém, estava muito lenta. Dormir após a conversa. Ao acordar, estava com fortes dores, pensei que fosse à hora de partir. Iniciei minhas preces e comecei a livrar-me de todos os elementos químicos contido no meu organismo. Fortes dores e cheiro de carne, carnes em decomposição, misturado com álcool e comida de porco. Nada agradável. Tudo que me alimentava, voltava, não conseguia manter nem se quer o chá por dois segundos em meu estômago. Sentia-me em um purgatório, só que com menos sofrimento. A fome e a sede eram terríveis e intensas, mas não conseguia me alimentar. Estava tonta, lenta e “vomitando” até pelas narinas, e assim foi a minha noite. Não dormir momento algum, pedia perdão ao Senhor pelas palavras e pela falta de maturidade.
Vi o sol nascer, estava cansada, com fome, sede, mais arrependida por ter cometido isto. Realmente, se vale à pena? Depende do ponto de vista de cada ser. Para mim, valeu a pena cada segundo. Aprendi a dar valor a mim, aprendi a respeitar o meu corpo, aprendi que não devo confiar em todos, aprendi a amar a todos sem diferenças, aprendi que sentimento não se brinca. Para mim, foi uma grande experiência e não desejo nem ao meu pior inimigo.
Se você, pensa em cometer este erro que cometi, lembre-se que em algum lugar do mundo, existem bilhões de pessoas querendo, nem que seja um segundo a mais de vida, que existem crianças, em hospitais, e todas as noites fazem suas preces. Elas não pedem brinquedos, nem objetos tecnológicos. O que elas realmente querem é viver. E você?
Michele Bethiane Melo Marinho e Silva
12 de Novembro de 2011
