domingo, 13 de maio de 2012

Gold


                Tarde fria tranquila e harmônica. Acompanhada de sorrisos e melodias. Pensando em fotografias e seu ente amado que talvez seja um dia. Ao caminhar sobre as ruas em plena semana causava-me reflexão e ao mesmo tempo uma triste solidão.
                Quanta timidez e vergonha sentir ao conversar com um artista, não tão famoso, nem tão grande produtor de artes, ma apenas para seu sustento. Obrigações que nossas mães costumam fazer chegam a vale a pena quando sentimos e observamos fatos que nos levam a refletir.
                Mamãe havia me entrego duas atividades a serem feitas. A primeira era ir a uma loja de joias para consertar um pingente e ver se havia tarraxas para os brincos de minha doce e querida avó. A loja parecia agitada, clientes entrando e saindo desesperados, logo em véspera do dia das mães, seria muito comum. Deixei as joias e partir para a segunda atividade.
                A segunda atividade era uma lojinha, próximo a um hotel, conhecido como banheiro público em época de festas noturnas. Para muitos seria um camelô e outros uma simples feira de objetos. Lá, se encontrava as minhas joias e eu a me preocupar. Ao chegar, encontrava-se um homem não tão velho, parecia estar nervoso. Olhou-me serio e perguntou:
                – O que a senhora deseja? – falou rapidamente.
                – Vim buscar uma encomenda que Beta da Disbatel pediu. – respondi vergonhosamente e preocupada.
                – Um momento. – disse o senhor.
               
                Rapidamente o senhor abriu uma gaveta e tirou um pequeno pacote, retirou duas correntes finas, como um fio de cabelo, e começou a consertar. Criei várias dúvidas.
                – Como você consegue ver? É tão pequeno que para eu conseguir ver, seria necessário o uso de lupas.
                – São 15 anos de luta e trabalhando com isso. Estou acostumado. – Parou e olhou-me seriamente – Na vida é do mesmo jeito. Você passará tantas vezes pelo o mesmo problema até se acostumar com ele e conseguir resolve-los cada vez mais fácil, sem ajuda de agentes externos. Independente do tamanho seja pequena e fino como essa corrente de ouro ou como essa corrente grossa de prata. São com pequenos detalhes que podemos mudar nossas vidas.
                Calei-me por um tempo e tomei como reflexão para a minha vida.
                – São R$ 7,00. Obrigado senhora e volte sempre! – disse ele, ainda nervoso.
                – Eu que agradeço... – entreguei o dinheiro e permaneci refletindo com suas palavras.
                São pequenos momentos em nossas vidas que se prestarmos atenção em cada uma delas, seriamos bem melhores.

Michele Bethiane Melo Marinho e Silva
13 de Maio de 2012